quarta-feira, 27 de outubro de 2010

CBTU inaugura sistema de comunicação usuário-estação

26/10/2010 - Revista Ferroviária

A CBTU inaugurou na quinta-feira passada (21) o novo Sistema de Acessibilidade e Emergência (SAE) para comunicação entre os usuários e o chefe de estação, na estação Recife do Metrô de Recife.

Para solicitar informações gerais ou operacionais, o usuário pressiona um botão no ponto de atendimento e o sistema direciona a chamada para o supervisor da estação e estabelece o canal de comunicação em viva-voz. O SAE tem níveis de programação e desvia ligações para outras centrais de atendimento nos casos de central ocupada ou na ausência de quem atenda nesta central.

A comunicação é feita através da rede interna de computadores e futuramente com Centro de Controle Operacional (CCO). O SAE é uma tecnologia Intercom IP, desenvolvida pela Apel.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Metrô de Recife adquire 7 VLTs

08/10/2010 - CBTU

Foram adquiridos para a CBTU Recife, através de concorrência internacional, sete VLTs (com motores a diesel) constituídos de três carros, tendo cada um a capacidade para transportar em torno de 200 passageiros. O moderno sistema de Veículos Leves sobre Trilhos será implantado em substituição às locomotivas a diesel e aos carros de passageiros no trecho compreendido entre as estações de Cajueiro Seco e Cabo. A demanda prevista neste trecho é de 30 mil usuários/dia.

Atualmente, o sistema de transporte de passageiros sobre trilhos em Recife é operado pela CBTU-Metrorec e é composto de vinte e oito estações, com linhas que somam 39,5 quilômetros de extensão, transportando cerca de 225 mil usuários/dia, sendo 205 mil na linha Centro e 20 mil na linha Sul.

A CBTU também abriu processo de licitação, do tipo concorrência internacional, para a aquisição de 15 novos trens elétricos de ultima geração (TUE`s), cada um com quatro carros, para o metrô de Recife.

O objetivo da aquisição é atender à demanda da linha Sul. Com a compra dessas novas composições, a expectativa da CBTU-Metrorec é transportar, inicialmente, 400 mil pessoas/dia, 170 mil a mais do que transporta atualmente. Outra mudança será a redução do tempo de espera, dos atuais 16 minutos para 4 minutos no horário de pico.

O metrô de Recife faz integração com 73 linhas de ônibus nos terminais do Sistema Estrutural Integrado (SEI), ligado a 7 estações (Recife, Joana Bezerra, Afogados, Barro, Jaboatão, Camaragibe e Cavaleiro), e integração tarifária com mais de 30 linhas de ônibus nas estações Recife, Joana Bezerra, Afogados, Santa Luzia,Werneck, Tejipió e Rodoviária.

Dessa forma, o metrô atende, diretamente, os municípios de Recife, Jaboatão, Camaragibe e Cabo, e, indiretamente, todos os 14 municípios da região metropolitana, através da integração metrô/ônibus. A frota é composta por 25 trens urbanos elétricos e 4 locomotivas movidas a diesel.

A primeira expansão do sistema metroviário em Recife consistiu na construção de mais de 4,7km na linha Centro, interligando as estações Rodoviária/Camaragipe, e a eletrificação de 14,3km da linha Sul, no trecho Recife/Cajueiro Seco. O projeto prevê, ainda, a construção de cinco novos terminais de integração metrô/ônibus. Entre o ano de 2007 e 2010, a CBTU Recife investiu R$373 milhões, representando uma média de cerca de R$100 milhões por ano.

A CBTU-METROREC iniciou a construção da estação Cosme e Damião, também conhecida como “Cidade da Copa”, com previsão de conclusão para meados de 2011. Além de beneficiar a comunidade local, a nova estação está dimensionada para atender os torcedores da Copa 2014. O projeto contempla um elevador, escada rolante e seis lojas comerciais. A estação traz inovações na sua estrutura por utilizar materiais ecologicamente corretos.

domingo, 3 de outubro de 2010

Um trem com os dias contados

13/06/2010 - Diário de Pernambuco

Desativação da linha Cabo-Curado encerra uma história de 50 anos para abrir espaço à chegada dos Veículos Leves sobre Trilhos, em processo de implantação

Jailson da Paz - jailsonpaz.pe@dabr.com.br

Dos trens a diesel de Pernambuco, a linha do Cabo é a única a resistir. Até a década passada, as velhas locomotivas partiam com destino a São José, no Recife. O Curado é o destino atual. São 26 viagens diárias de segunda a sexta-feira, número que cai pela metade no sábado. E as viagens são um convite a paisagens pouco vistas por quem anda de automóvel ou ônibus. 


Fotos: Alcione Ferreira DP/D.A Press 


Meio preguiçoso, o sol dá sinal de vida logo nas primeiras viagens do velho trem a diesel. O ritmo é lento na Estação Cabo de Santo Agostinho. Cabisbaixo, um homem chega de sacola nas costas. Duas estudantes riem alto, mas a passos vagarosos. Quase não tiram os pés do chão.

É como a paisagem do terminal ferroviário: insiste em ser igual apesar dos bons ventos econômicos soprados do Complexo de Suape. A quebra vem com o badalar do sino. Há décadas, ele anuncia a partida dos vagões. Há quem diga que tenha um século e meio. Teria a mesma idade da linha, inaugurada, em 1855, quando o Brasil vivia sob o comando de dom Pedro II.

Por instantes, o sino quebra o silêncio e a vagarosidade. Passageiros atrasados se apressam para não perder o trem. "O próximo só daqui a uma hora", grita um retardatário. Nas três primeiras viagens, a distância entre uma e outra é de uma hora. O início, sempre às 5h30. Num pulo, o retardatário está dentro de um dos vagões. Fora, o maquinista dispara a buzina, o fumaceiro sobe. A inércia dá lugar a um saculejo que, de tão uniforme, faz operários, domésticas e estudantes adormecerem. Abrem os olhos aqui e acolá. Os corpos parecem ter decorado o lugar do desembarque. "Se alguém estiver dormindo no ponto de descida a gente acorda", diz o auxiliar de serviços gerais Tiago José da Silva, 45 anos. Há 23, ele recorre ao trem para trabalhar.

Tiago é falante. E bastante conhecido. Sempre que o trem para, algum passageiro o cumprimenta. Ele responde a todos. Dá uma pausa nas palavras apenas quando perguntado sobre o desaparecimento do trem a diesel. "Vou sentir falta, mas quero o melhor. A gente tem sempre que sonhar mais alto", responde. A desativação da linha Cabo-Curado alimenta conversas entre os cinco mil passageiros diários. No governo, idem. "É quase natural que o trem seja desativado", argumenta o coordenador do Centro de Controle Operacional da CBTU/Metrorec, José Augusto Lima de Souza. O desaparecimento do trem será consequência da entrada em funcionamento dos Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs), em processo de implantação

Da janela, o segurança Eliel Silva, 43, não faz conta do tempo. Espera pacientemente o velho trem vencer os 31,5 quilômetros entre o Cabo e o Curado. São 56 minutos. A paisagem quase não muda nas primeiras das oito estações. Vê-se apenas o canavial e alguns pontos azuis de rios e verdes escuros de Mata Atlântica. "É um trem pé duro com paisagem bonita", define. O verde ainda existe, mas quase todo o percurso foi tomada pelo casario. Casas e edifícios simples, cujos donos se contentam em pagar R$ 1,40 por viagem. "Acho que vou sentir saudade", admite a dona de casa Ednalva Santos, 45. Saudade de um "senhor" que trafega há meio século. 

Trem Diesel